Tudo corria naturalmente entre Ana e Marcelo. Naturalmente, digo, daquele jeito: festa, padre, vestido, padrinhos, bolo, música, valsa. Ela achava retardada a idéia de uma despedida de solteiro, mas não dificultou as coisas. Pensou algo como logo-dou-jeito-nesses-amigos-babacas. Como manda a boa educação e a necessidade fisiológica de diversão, ela convidou algumas amigas e amigos para um brunch com vinho branco, blues e conversa fora.
Acho que era Billy Holiday que tocava quando Ana ouviu a coisa que mais detestava na vida. Alguém falou, em alto e bom tom: duvido. A voz única logo se transformou naqueles burburinhos insuportáveis que só um grupo de amigos reunidos é capaz de produzir. Ela soltou a taça na mesa e esticou a mão direita para Luiza.
Ao contrário de Ana, que, mesmo escorpiana, trazia um certo ar doce nas ações e no toque, Luiza pegou firme o pulso da sócia e colocou os dedos na curva da sua cintura. Os dedos da mão esquerda de Ana imediatamente subiram da nuca para o início das ondas dos cabelos de Luiza, que abraçou a amiga com as más intenções que não julgara ter nunca antes com uma mulher.
O burburinho silenciou de repente e Don’t Explain tocava alto quando Ana cerrou os dedos e puxou a cabeça de Luiza em sua direção. A língua dela agia como se concentrasse todo o tesão acumulado pela platéia. Devagar, Ana o rosto de Luiza e, sem tirar os olhos da boca da amiga, passeou os lábios e os dentes enquanto sentia as unhas dela arranharem suas costas embaixo da blusa quase infantil.
A melodia da música acompanhava o movimento das duas que, sem comando e numa ação quase involuntária, andavam devagar em direção a parede. Luiza, inesperadamente, inverteu a posição das duas e encurralou Ana contra o gesso branco. Todo o ritual erótico se transformou em completa dominação quando Luiza tomou controle.
Quando o celular de Ana tocou, as calças já tinham sido abertas, as mãos já não sentiam tecidos e as marcas de unhas estavam nas costas de ambas. Os amigos, que não conseguiam se pronunciar nem com os olhos mas diziam o que pensavam pelo silêncio voyer, se retiraram um a um. E quando receberam o aviso do cancelamento do casamento, prometeram nunca mais duvidar.
Tudo corria naturalmente entre Ana e Marcelo. Naturalmente, digo, daquele jeito: festa, padre, vestido, padrinhos, bolo, música, valsa. Ela achava retardada a idéia de uma despedida de solteiro, mas não dificultou as coisas. Pensou algo como logo-dou-jeito-nesses-amigos-babacas. Como manda a boa educação e a necessidade fisiológica de diversão, ela convidou algumas amigas e amigos para um brunch com vinho branco, blues e conversa fora.
Acho que era Billy Holiday que tocava quando Ana ouviu a coisa que mais detestava na vida. Alguém falou, em alto e bom tom: duvido. A voz única logo se transformou naqueles burburinhos insuportáveis que só um grupo de amigos reunidos é capaz de produzir. Ela soltou a taça na mesa e esticou a mão direita para Luiza.
Ao contrário de Ana, que, mesmo escorpiana, trazia um certo ar doce nas ações e no toque, Luiza pegou firme o pulso da sócia e colocou os dedos na curva da sua cintura. Os dedos da mão esquerda de Ana imediatamente subiram da nuca para o início das ondas dos cabelos de Luiza, que abraçou a amiga com as más intenções que não julgara ter nunca antes com uma mulher.
O burburinho silenciou de repente e Don’t Explain tocava alto quando Ana cerrou os dedos e puxou a cabeça de Luiza em sua direção. A língua dela agia como se concentrasse todo o tesão acumulado pela platéia. Devagar, Ana o rosto de Luiza e, sem tirar os olhos da boca da amiga, passeou os lábios e os dentes enquanto sentia as unhas dela arranharem suas costas embaixo da blusa quase infantil.
A melodia da música acompanhava o movimento das duas que, sem comando e numa ação quase involuntária, andavam devagar em direção a parede. Luiza, inesperadamente, inverteu a posição das duas e encurralou Ana contra o gesso branco. Todo o ritual erótico se transformou em completa dominação quando Luiza tomou controle.
Quando o celular de Ana tocou, as calças já tinham sido abertas, as mãos já não sentiam tecidos e as marcas de unhas estavam nas costas de ambas. Os amigos, que não conseguiam se pronunciar nem com os olhos mas diziam o que pensavam pelo silêncio voyer, se retiraram um a um. E quando receberam o aviso do cancelamento do casamento, prometeram nunca mais duvidar de ninguém.