Duelo de Escritores

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Chega de moleza, depois de uma temporada de temas leves do rafael, agora quero ver gente suar a camisa pra vencer o desafio da vez. Bem, vamos lá: Parallel Lines (Linhas Paralelas) foi um desafio que a Phillips fez a 5 jovens e promissores diretores, para divulgar o seu novo aparelho de tevê em que a iluminação de fundo seguia os tons mostrados na tela. Eles deveriam produzir 5 curtas, cada um do gênero e linguagem que o diretor escolhesse, porém com exatamente o mesmo diálogo:

- O que é isso?
- Um unicórnio.
- Nunca vi um assim de tão perto.
- Que beleza!
- Vá embora! Vá embora!
- Desculpe.


O resultado foram 5 curtas encantadores, com narrativas intrigantes e cinematografia esplêndida, que vocês podem conferir no site Parallel Lines (AVISO: duelista, antes de visitar o site, leia até o fim). Pois bem, o desafio aqui será, como vocês já devem suspeitar, escrever textos em que só apareçam os 5 diálogos acima. Os duelistas estão livres para criarem as histórias que quiserem, com descrições, mentalizações, narrações ou qualquer outro recurso, mas as 5 frases de diálogos, e em diálogos digo somente elas, obrigatoriamente precisam aparecer no texto. Quem não entendeu direito a proposta ou estiver curioso para ver os curtas, pode assistí-los no site, mas lembre-se que será uma ideia a menos para você usar, pois inevitavelmente você será influenciado pelas histórias que assistir antes de produzir o seu texto.

Ah, é claro, não vale transcrever nenhum dos curtas em palavras, seria fácil demais. De todo jeito eu já mifu porque vi os 5, hehehhe. Se o site da Phillips estiver pesado para as suas conexões, vai um link alternativo dos 5 curtas no Youtube.

Textos até 26/08/2010 com o marcador linhas paralelas.

Aug
17
Votação

Bem, está aberta a votação em ritmo musical. Escolham o texto que teve melhor sonoridade e rebeldia e votem nele até o dia 20/08, sexta-feira.

Aqueles que desejarem participar da próxima rodada, basta se manifestarem durante a votação.

Abraços.

- Ei, Lulu! Vamo se jogar com o pessoal lá na figueira?
- Ix… sei não… amanhã tem prova e tal.
- Dá nada, moleque. Vamo lá que todo mundo já foi. Nem esquenta.
Foi assim, com um convite simples feito depois da aula, que tudo começou. A história é simples. Luciano Ferroso Peixoto, Lulu, aos 14 anos e com ótimas notas na escola começou a andar de skate nos arredores do colégio com a turma da oitava série.
Crianças, basicamente. Obviamente, na sexta série, estas crianças já se aventuraram por mundos como o do álcool e do cigarro, tentando se enturmar em outros grupos sociais. Foi embaixo da figueira que Lulu tragou o primeiro cigarro, seguido de uma tosse seca e vergonhosa. O que foi vergonha para ele, porém, foi considerado um charme pelas gêmeas.
As gêmeas. Alvo dos olhares de 8 a cada 10 alunos do colégio, viviam sendo alvo das fofocas das meninas e objeto do desejo dos meninos. As histórias diziam que usavam drogas, que eram violentadas pelo padrasto, que eram lésbicas e até mesmo que eram satanistas. Nunca ninguém soube ao certo quais desses boatos eram reais e quais não passavam de especulação.
Lulu era baixinho, magro e tímido. As gêmeas eram louras, altas e magérrimas. As duas se interessaram imediatamente pelo rapaz franzino.
- Toma.
- O que é isso?
- Um baseado, dá uma bola. Nem dá nada.
Não havia como dizer não. Cercado pelas garotas, cada uma o olhando de um lado com aqueles olhos sacanas que desmembravam qualquer mente de um pervertido rapaz da oitava série, não havia como dizer não.
Depois da figueira foram os passeios na pista de skate, as invasões a fábricas abandonadas, as festinhas na casa de conhecidos da turma. Em uma dessas festinhas, o exagero no álcool e na maconha foi natural.
Acordou deitado, só de cueca. Olhou para o teto irreconhecível com uma dor de cabeça nunca antes sentida, e se desesperou. “Que horas são? Minha mãe vai me matar!”. Olhou em volta e viu uma cena que apenas seus sonhos já tiveram a audácia de imaginar: as gêmeas. Lindas, nuas, louras. Foi sua primeira vez – com certeza não a delas – e ele nem sequer se lembrava. Sua mente estava em branco, um vazio completo tomava o dia anterior.
As noitadas ficaram mais frequente, o sexo também. Logo, outras meninas quiseram provar o que as gêmeas haviam despertado no garoto. Uma noite, voltando da aula de violão, encontrou a turma bebendo em frente ao posto de gasolina, sentados no meio fio. Logo deixou de tocar os clássicos sertanejos que seu professor insistia em lhe ensinar para renovar o seu repertório com Nirvana, Ramones e Guns and Roses.
Quando entrou numa banda punk, virou quase um ídolo no colégio. Ensinou muitas garotas a beber, a fumar e a transar. Da maconha, evoluiu no peso das drogas. Os shows de festivais de colégio perderam a qualidade com os integrantes visivelmente alterados.
Logo, era ele que caía nas fofocas das portas de banheiro e corredores de ginásio. As notas despencaram, passou a faltar nas aulas de educação física. Mas ainda assim saía com os colegas para andar de skate e para todas as festas que pudessem surgir.
No dia que seu computador estragou e foi levado a um técnico de informática, fotos das gêmeas tomaram o colégio. Além delas, mais três outras garotas mostravam tudo que Lulu tinha ensinado a elas.
Expulso do colégio, Lulu sumiu. Foi o assunto do ano na oitava série. Passou a ser usado como exemplo pelos professores e pela diretora, sempre que precisavam ameaçar algum estudante.
Toda tarde, porém, a mesma frase ainda seria repetida à eternidade.
- Vamos lá, cara. É só uma bola. Nem dá nada.
E a história se repete.

O luar dava forma à imensidão do sertão com a vegetação seca e esparsa, as pedras quais vultos que observavam caladas e a estrada de chão batido brilhando a perder-se no horizonte. E os dois amigos, abraçados, caminhando trôpegos e barulhentos.

- Hoje eu sou o ómi mais filiz do mundo, Quinzinho! – e passando uma garrafa para o outro, continuou – segura a pinga que eu vou mijá ali um poquinho.

- Glub, i pruquê, glub, dessa aligria, glub, toda?

- Ara, só me fala uma coisa, Quinzinho, num foi a maior festança que tu já foi na vida não?

- Ah, isho foi. (arrôto)

- Pois então, festa como essa vai entra pra história da região, us mininu de hoje quando for véi vai tudo conta pros mininu que nem nasceu ainda como foi porreta a gafieira dessa noite enluarada.

- Mas pru modiquê vosmicê, glub, gosthou tantho assim da festha, Titonho?

- Ara, i você não tava lá não, pra vê tudo que si assussedeu di bom pur lá? Pra começá, eu nunca na vida tinha visto tanta banda boa de forró, Quinzinho. Tinha aquele tar de Elvispreslei da Silva, que veio lá das banda do norte, com aquela dança de quebrar as cadeiras. Eu mesmo vi ele quebranu umas três. U ómi tava impossíver. Depois que tiraram os pedaços das cadeiras quebradas entrou outras banda retada que costuma tocá lá pra dispois do laguinho, os tar de Besouros. Vish maínha, eu quais fiquei tonto de tanto rodá cantando Ah o ano a rolha o rééééé, ah o ano a rolha o rééééé. E pra fechá cum chave di ôro veio o Rolinho Uínston e satisfez todo mundo com as múrsica do pangaré brabu, a do trato cum o cramunhão…

- Tithonho, ic, essa úrtima eu num gostei não, ic.

- Ara, isso é pruquê você é beato e só pensa em inchê a pança i isquece di dançá cas moça bunita.

- Mas é qui as raphadura tava da gota serena, Tithonho. Vai dizê quioscê num deu uma ixperimentadhinha nelas tamém?

- Ara, craru qui eu comi as rapadura da dona Maria Joana. Eu precisei, num foi? Tive de adoçá o bico pra criá corage e chamá a filha do seu Neno pra dançá. Só depois de uns cinco pedaço é que foi crescenu a coragem lá no meu istomo, daí quando eu vi já tava na frente dela.

- I disphois, ic?

- I dispois qui eu dancei agarradinho com ela até o pai dela chamá pra i embora. Ê lasquêra. É por isso, Quinzim, que eu digo que festança como essa nunca teve antes por estas banda. Posso até dizê que todas as ôtra festa que aparecerem daqui pra frente vão imitar essa aqui. Espera só procê vê.

- Tithonho…

- Diga, Quinzinho.

- Será que existhe nesse mundão de Deus coisa melhor que chamego, rapadura e forró?

- Ói, se existe eu não sei não, mas se existir com certeza devem ter levado daqui. I passa pra cá essa garrafa que eu vô esvaziá o resto antes quiocê beba ela toda sozim.

Aug
16
Metaleiro

por Luciano dos Santos Alves.

Sim eu também me vendi. Sei que não fui o único, mas isso não importa, o que os outros fazem é problema deles. A vida é assim mesmo. Não tem como fugir. Pra ganhar alguma coisa sempre temos que sacrificar uma outra. Às vezes é o tempo, o sono, o amor ou como no meu caso a integridade. Sim eu defenestrei a coitada em troca do sucesso, dinheiro e conforto.
Minha história é igual a de muitos outros guitarristas. Uma música no rádio, um videoclipe na TV e então o primeiro disco. Depois disso o heavy-metal tomou conta de mim. Camiseta preta, cabelo comprido, muitos discos e a primeira guitarra. Horas e horas trancado no quarto percorrendo o braço do instrumento pra cima e pra baixo. Veio a habilidade e a vontade de se expressar. Mostrar ao mundo meus sentimentos através das cordas e de toda a distorção possível. A primeira banda, ensaios, brigas, risadas e músicas. Os shows. A batalha diária pelo sucesso. Portas que não se abriam. Contas se acumulando. E logo ali a vida adulta cobrando atenção e responsabilidades. O sonho começa a desmoronar, a banda também. Foi quando ele surgiu.
Bem vestido, gastando muito dinheiro, acompanhado de uma gostosa ele destoava completamente daquele boteco onde nos apresentávamos. Lá do canto onde a banda tocava sua presença também chamou a atenção. Quando o show acabou chamou-me a sua presença. Foi ali que me perdi. Entre uma cerveja e outra expôs sua proposta. Havia uma banda de axé e uma vaga de guitarrista. Salário garantido, muitos shows e pra começar bem um disco seria gravado em breve. A oferta era boa. Na hora nem se importei com as exigências do trabalho. Agarrei-me com tudo àquela oportunidade.
Em pouco tempo estava com a vida aprumada. Contas em dia, carro na garagem, viagens, fama, bebidas, comidas e mulheres. Tudo do bom e do melhor. Mas o tempo passou e algo faltava. Um aperto no peito, um desanimo com o mundo e o mau humor dominando o dia a dia. A liberdade sumira. No palco ou no estúdio seus dedos eram guiados por outros. Não tinha mais domínio sobre a música. Para as entrevistas somente assuntos autorizados. Roupas somente as que o produtor escolhesse. Estava cercado. O dinheiro cantava alto demais para ser ignorado. O que fazer então?
Foi assim que eu me prostituí. Hoje para saciar meus desejos de sentimentos e sinceridade escondo o rosto atrás de maquiagem pesada. Engano meus senhores usando uma peruca espalhafatosa. E nas noites de folga fujo pelos bares para tocar o verdadeiro rock’n roll.

Aug
11
Novo tema

Olá, leitores e duelistas!

Sem mais delongas, vamos ao próximo tema, que será “sexo, drogas e rock’n roll“.

Fazia tempo que estava querendo colocar esse tema. Sei lá, essas três palavras, mesmo fora do contexto da época, rendem muitas histórias, ao meu ver. Quem nunca quis ser um rockstar, se entupir de drogas e álcool e pegar muita mulher? Hahahaha

Brincadeiras à parte, a marcação será “drogas e rock’n roll” (não consegui colocar todo o tema ali no categories, não sei por que).

Textos, composições ou riffs de guitarra devem ser postados até o dia 16 de agosto (segunda-feira).

Boa produção a todos!

Aug
7
Votação

Está aberta a votação nos melhores amores à primeira vista.

Votem até o dia 10.08.2010.

Os que quiserem participar da próxima rodada do duelo, basta votar, se manifestar que desejam ser duelistas convidados e deixar o email para contato.

1 abraço

Escrito por L.S. Alves

Ela – Amor nós precisamos conversar. Lembra da promessa que te fiz
depois da nossa última briga?
Ele – Sim O que tá acontecendo?
Ela – Não consegui aguentar. Ela tava no shopping. Alta, charmosa e
tão sexy! Foi amor a primeira vista. Foi mais forte do que eu, não
resisti e trouxe ela pra casa.
Ele – Oh não! Outra bota!

As mãos estavam enrugadas embaixo da água que corria da torneira. Lembrava-se com um sorriso no rosto da época em que, ainda criança, aproximava a cadeira do balcão da pia e abria a torneira. Tudo para poder colocar as mãos embaixo da água corrente e ver os dedos enrugados, pois como seu pai lhe dizia, “é assim que sua mão será quando você for bem velhinha”. Agora, que já era bem velhinha há alguns anos, olhava as rugas nas pontas dos dedos sabendo que ao desligar a torneira elas continuarão lá.

Os passos arrastados deram a dica: pantufas. Pantufas se arrastando no chão gelada da cozinha.

- Vovó.

- Fala, meu lindo.

- Como a vó sabia que tava apaixonada pelo vô?

A pergunta pegou ela de surpresa. Não imaginava que o netinho, ainda tão pequeno, se questionava esse tipo de coisa. Estaria ele apaixonado?

Enquanto se perguntava os motivos, olhou para os olhos brilhantes do neto. Os mesmo olhos do avô. E num segundo, viajou de volta para Santa Catarina.

- Gê, aqui tem lugar, vem ver, eles estão chegando!

Gertrudes se apertou entre as pessoas para chegar mais perto da rua onde acontecia o desfile. Era outubro e as ruas centrais de estavam repletas de pessoas que se acotovelavam para assistir ao desfile de Oktoberfest. Gertrudes veio com uma amiga para conhecer a festa. A origem germânica ambas também tinham, mas na pequena cidade onde moravam, isso era parte comum da vivência dos moradores, sem grandes festas.

Quando chegou no final da calçada, um esbarrão fez com que seu chapéu alemão fosse ao chão. Quando se abaixou, viu a mão firme agarrando o chapéu antes dela. Levantou os olhos e quase ficou cega com tanto beleza.

Seu nome era Mannfrid, filho de alemães e um dos participantes do desfile, que cantarolava uma música típica enquanto entregava o chapéu na mão da bela senhorita.

- Não vai querer estragar tão belo traje.

Antes que pudesse retribuir o elogio, ele se foi, pulando abraçado aos amigos. Antes de sumir de seu campo de visão, porém, virou-se e gritou:

- Meu nome é Mannfrid! E você é linda!

A pequena mão puxando a barra de sua saia quebrou o quase transe em que se encontrava.

- Então, vó. Como você soube que estava apaixonada pelo vô?

- Ah, meu lindo… eu e seu avô somos amigos de infância, éramos vizinhos desde pequenos. Nos tornamos tão próximos que nos apaixonamos.

A informação foi suficiente para o neto. Deu um beijo rápido no rosto da avó, que se abaixou, e saiu correndo pela casa.

Naquela noite, Gertrudes abraçou o corpo do velho Honorato, para se proteger da noite fria. Mas foi com Mannfrid que ela sonhou.

Tinha a irrecuperável mania de apaixonar-se tão logo as via nas ruas, montadas em salto alto, trajadas em vestidos curtos, calças jeans ou sandálias, cabelos amarrados, lisos ou encaracolados. Poderia ser no dobrar de uma esquina, na fila da padaria, próximo à banca de jornais ou mesmo sobre os ladrilhos de uma calçada qualquer.

A garganta apressava-se em declamar odes de amor e compromisso, subtraindo versos de antigos poetas, exaltando a perfeição no contorno de cada rosto, o reflexo brilhante dos raios de sol nos olhos castanhos, azuis, verdes, mesmo cinzas.

O ardor do coração queimante, quase em brasa, porém, nem sempre era correspondido. E, quando o era, o era somente por um breve instante no calendário, momento em que entre beijos e abraços, sussurros e gemidos, rimas e versos, julgava-se imerso entre as nuvens de seu paraíso particular.

Mas era somente uma questão de tempo – e ocasião – para ver-se mergulhado no mar escuro e profundo do desengano, abastecido pelas lágrimas sinceras que caíam das duas fontes do rosto. Pobre de ti, amante exasperado!

Eis que, em certa ocasião, tomou uma decisão definitiva: se não podia controlar sua paixão, esse animal insaciável que lhe fugia da coleira ao passear entre os transeuntes, iria matar o mal em sua origem. Com a ponta da caneta tinteiro que usava para escrever as frases tortas e ardentes para elas, sempre para elas, furou os dois olhos.

 

Aliviou-se e pôde, enfim, passear pela rua sem amar ou sofrer. Desacostumado com a escuridão que se desenhava à sua frente, porém, não tardou até que, num passo desajeitado, trombou-se com um passeante qualquer. Levou as mãos para o corpo à sua frente, como para se desculpar, e tocou a pele macia e resplandecente, aromática, singela perfeição exalada em cada poro.

Tarde demais, descobriu, enfim, que o amor era mesmo cego.